quarta-feira, 10 de março de 2010
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O vinho da missa

"O vinho termina antes com a briga do que o padre e a obrigação": uma expressão já conhecida por Don Camillo e Peppone. O vinho da missa está ligado à liturgia e ao simbolismo, trazendo em si, aos católicos, confiança e, longe do altar, traz alegria.

O símbolo é de confiança. E Igreja e vinho em combinação, ao longo da história, ensinaram muito à cultura do vinho. Basta lembrar dos vinhedos de propriedade da Igreja ou do papel da Igreja como fornecedora de Know-How para a vitivinicultura.

Diante das incontáveis falsificações de vinhos da história, ao menos o vinho para a liturgia deve ser puro e de origem conhecida. Por isso, a Igreja católica, no século XV, determinou como deveria ser o vinho. Mesmo em tempos difíceis, de proibição ao consumo do álcool, como a ocorrida nos Estados Unidos entre os anos de 1919 e 1933, quando a produção de "intoxicating liquors" com mais de 0,5 %, foi proibida, o vinho, para fins sacrais, era uma exceção.

Esse vinho é produzido com método de “invasivas mínimas”. São, na maior parte dos casos, produzidos a partir de uma uva regional, suave a média, não sendo permitida a introdução de açúcar. No máximo, pode ser equilibrado o sabor azedo com um gaseificado de cal. Outros métodos de embelezamento do vinho apenas são permitidos se a qualidade for mantida e em casos extremos.

"Respeito à tradição"

Por respeito à tradição, o vinho da missa nunca é um simples vinho de mesa. Nada impede que seja vinho doce. Bem ao contrário: muito popular é o vinho grego Samos, um vinho encorpado com aroma de noz moscada, que é bastante doce em função do clima quente. Por ser doce, traz duas vantagens: pode ficar mais tempo aberto, o que é que é bom, já que não é consumida uma garrafa inteira em uma missa, e também porque ninguém quer tomar um vinho seco na missa das 7!

Hoje, esse vinho, na Europa, traz na etiqueta, muitas vezes “vinho da missa“ ("Messwein"), mas nada garante ao produtor que, por ser chamado assim, seja consumido pela Igreja.  O vinho sempre acaba sendo provado, e, uma vez aprovado, o produtor deve jurar à diocese que o vinho é natural e produzido apenas de uvas, como está descrito no Codex Juris Canonici, Canonis 924.  O juramento é hoje bem informal, bastando firmar um documento, mas em geral, é preciso também um bom nome e uma conexão com a Igreja, afinal, qual produtor não gostaria de fornecer esse vinho?


Redator: thomas
Data de publicar: 29/1/2010
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