sexta-feira, 18 de maio de 2012
Coluna do Chef de Cuisine Alexandre Sharin
Minimizar

Nessa coluna, trago a vocês mais uma viagem a Barcelona, descrita pela Chef de Cuisine Cristine Favero - (Parte II). Espero que gostem!

Bodega la Plata

Bueno, aqui estamos outra vez. Hoje darei uma dica para os amantes dos prazeres simples da vida. Um deles começa quando entras no bairro gótico e começas a andar por “calles” que, de tão estreitas, podes imaginar-te nos tempos em que por aí somente se passava a cavalo. Ao olhar para cima ,vês um centenar de “balcones” floridos, com raios de luz solar, terminando de pintar este incrível cenário. Sentes-te em outro planeta.
Em uma destas “pequenas grandes calles”, encontramos la calle del Mercê (que seria em homenagem à santa padroeira de Barcelona). Caminhando rumo aos correios de via Laitana, vás a encontrar várias tavernas, com aquelas imensas portas de madeira! Aliás, em uma delas (que agora já não me recordo o nome), pude experimentar o melhor queijo cabralês de minha vida e um queijo tipo roquefort, só que típico da catalunia. Um queijo feito com leite de cabra, envolto em folhas de parreira e enterrado no solo até que mature: um queijo feito para os amantes dos fortes prazeres gastonômicos. Se não me engano, na porta tem um quadrinho anunciando que ali vendem queijo cabralês. Vale a pena entrar.
Hoje vim contar uma outra história, que seguia por la calle de la Mercê, até cruzar la calle la plata. Um estabelecimento muito simples e realmente muito pequeno. No cenário, encontramos um pequeno balcão em L, em mármore branco (já um pouco desgastado pelo tempo), algumas poucas mesinhas redondas e pequenitas, também em mármore e, ao fundo, uma belíssima geladeira industrial, toda de madeira, do tempo em que foi inaugurada a bodega, por 1920. Nas paredes, as fotos desde o princípio do estabelecimento. No front está o dono atual: um senhor de uns 60 anos, que segue fiel aos princípios de seu avô: boa matéria-prima, simplicidade e simpatia. Logo está seu fiel escudeiro, que serve as mesas com muita picardia. Por ser tão pequena, com duas portas abertas para as duas esquinas, já e de imaginar que a maioria das pessoas ficam de pé, degustando os petiscos.
Outra vantagem de la bodega é que não te confundes muito com o cardápio. Sardinhas fritas (como só eles conseguem), salada de tomate, cebola, azeitonas e anchoas Del cantabrico, botifarra de Paes (como o nosso salsichão da colônia ), pan amb tomaquet (lascas de pão tostados com tomate frotado por em cima e um fio de azeite de oliva).
Para acompanhar, podes pedir uma cerveja (quinto ou mediana) ou um vinho del Penedès, região de origem. Eu sugiro que opte pelo vinho tinto, que tiram de um destes tonéis magníficos, e já que é para experimentar novas emoções, podes pedir para que te sirvam o vinho em um purron. Seguramente, alguém estará bebendo em um destes para que tu possas ter uma idéia de como fazer.
Uma dica: como toda boa bodega espanhola, elas fecham às 14h e voltam a abrir  às 17h. Depois de provar as sardinhas de la bodega , minha aversão por sardinha desapareceu. Espero que um dia todos possam ser capazes de sentir prazer em coisas tão simples, como um prato de sardinhas bem feitas, um cálice de vinho, uma boa compania, e histórias de outras vidas. QUE DESFRUTEM!

Patrocinadores
Minimizar


Coluna
Minimizar


Política de Privacidade  |  Termos de Uso
Copyright 2009 by CIA-24.com