Assim como o cientista tem curiosidade em entender o porquê dos fenômenos naturais, o gourmet tem uma necessidade nata de provar diferentes pratos, temperos e demais “matérias-primas” que encontra à sua frente, sempre que tem oportunidade, especialmente quando está em viagem. Nessa coluna, trago a vocês uma viagem ao mercado público espanhol, descrita pela também Chef de Cuisine Cristine Favero. Espero que gostem:
Mercado de la Boqueria
Ja tive a oportunidade de viajar a muitos países europeus em busca de aventura e conhecimento. Em minha condição de amante da cozinha, em todos os lugares que parei por, no mínimo duas horas, andei em busca de seus mercados públicos. Berlim, Londres, Amsterdam, Paris, Tanger, Gênova, Milão: todos eles com seu encanto e sua vida própria. No entanto, a apoteose estava por chegar: Barcelona, minha última parada antes de retornar a Brasil. Fui descendo as ramblas, rumo ao passeio Colon. Depois de passar pelas estátuas vivas e pelas bancas de flores, que soltam um aroma incrivelmente doce, na altura da parada de metrô Del Liceu, na mão direita, encontrei o mais belo mercado que vi em minha vida.Na verdade, ele foi o responsável por eu adiar minha volta ao Brasil de 15 dias para 13 anos!
Não sei se poderia explicar-los o que se sente ao entrar em la boqueria. É um prazer total: auditivo, gustativo, visual, olfativo, .... um êxtase!

Pode-se encontrar desde uma simples sardinha (fresquíssima, isto sim!), até um pirulito de escorpião ou um enlatado de gafanhotos crocantes, em uma tenda no fundo do mercado que se chama Petras, onde há também, no outono, uma variedade de cogumelos frescos, como trompetas de la muerte e girgolas entre outros muitos. Aliás, em muitas idas pela manhã, era aí que encontrava a Ferran Adria fazendo suas compras para seu atelier gastronômico, que está no primeiro andar do mercado.
Na entrada, se encontra Vidal Pons com uma variedade de frutas e verduras de enlouquecer, aliás todo o mercado é uma embriaguês divina!
Como todos os lugares, a boqueria também tem suas regras: não ouse tocar em uma mercadoria, nem sequer chegar perto com o dedo ou, caso contrário, estará sujeitoà ira de la senhora da banca!
Outro ponto imperdível de visitar é o bar Pinochio. O dono é uma lenda viva! Se chama Juanito. Uma parada obrigatória para formar parte do mercado.
Eu costumava pedir o “revuelto de judias blancas y xipirones, com reducción de balsâmico” (ovos mexidos com feijão branco e uma espécie de lula muito pequena), Capipota (uns guisos de cabeça e pé do porco: uma delícia!) ou então um pão tostado com creme de abacate e uma anchoa “Del cantabrico” arriba e um fio de um excelente óleo de oliva extra virgem! E isso tudo regado a uma bela copa de Cava e as histórias de Juanito!
E bueno, com o carrinho de compras cheio de matéria prima e o brilho da Cava
encerro minha manhã no mercado, pronta para abrir o restaurante!